quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Filme | Nada que eu ouça

"Mamãe me deu mãos mágicas" (Adam - criança surda do filme) 

Nota: Antes de começar essa RESENHA eu quero deixar claro que eu não sou contra e nem a favor do implante coclear. Esta não é uma explicação do que se trata esse procedimento médico, do qual eu não estudei e nem sou 'técnica', logo não posso afirmar nada acerca dele. Este texto é uma humilde resenha de um FILME que eu assisti, e, por se tratar do gênero resenha, contém minha opinião ao decorrer do texto. Obrigada (: 

Eu ainda não manifestei no blog o meu interesse pelo mundo dos surdos, que envolve não apenas a Língua (sim, é LÍNGUA e não linguagem, pois contém uma estrutura gramatical, não são apenas mímicas), mas também toda a cultura dos surdos. Vou falar resumidamente de como meu interesse surgiu.
Conheci a LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) em uma igreja batista em Manhuaçu, minha cidade natal. O ministério se chama “Surdos mãos santas”, e desde então me apaixonei, pois achava (ainda acho) lindíssima a comunicação por meio das mãos E da expressão facial, pois é muito sincera. Não entrei em nenhum curso, porém a paixão ficou dentro de mim. Quando fui para Viçosa me deparei com a LIBRAS,novamente em uma igreja batista. O ministério de surdos se chama “Falando com o Pai”, mas dessa vez entrei em um curso da igreja e agora me envolvi com o CELIB (Curso de Extensão em LIBRAS) que fica no Departamento de Letras da UFV. Cada dia fico mais e mais admirada com esse mundo totalmente novo que é o mundo dos surdos! É lindo, realmente lindo como eles encaram a vida e os relacionamentos. 

Agora, vou falar um pouco sobre esse filme que minha mãe apareceu nesse final de semana. O “Nada que eu ouça” (Sweet Nothing in My Ear) narra uma difícil decisão de um casal, Laura (surda) e Dam (ouvinte), em deixar ou não que o filho deles, Adam (surdo), passe por uma cirurgia de implante coclear. Nota-se no filme que a família é totalmente adaptada às necessidades dos surdos: a campainha é através da iluminação; o telefone é visual. Tais adaptações (ou seria totalmente normal para a família, afinal a surdez é uma deficiência ou diferença? É uma pergunta retórica, e depende da opinião de cada um) tornam a vida da família muito mais simples, e claro, a comunidade surda na qual eles vivem, ou seja, amigos surdos ou que conhecem a Língua de Sinais e o emprego no qual Laura trabalha com crianças surdas.
O pai do Adam considera que ouvir é algo essencial ao filho, ele quer de coração que seu filho ouça. Dam quer dar ao seu filho o prazer de ouvir uma música, uma sirene, o prazer de ser “normal”. Já Laura, considera a cirurgia arriscada e desnecessária, pois seu filho não é deficiente e acredita que ele deve aceitar-se como é e ser feliz assim. Opiniões são divididas acerca do implante coclear e é o drama de muitas famílias. Não me arriscarei aqui tentando esboçar alguma opinião acerca da cirurgia, tal decisão cabe aos pais e deve ser decidida com ajuda de um profissional. Mas, posso opinar já opinando? É bom olhar para os dois lados da moeda: procure um médico, mas procure uma comunidade surda também! Extremos nunca são saudáveis... Questione um médico, questione um surdo.
O filme me questionou: é possível ser feliz como somos? 
O filme produziu em mim empatia: e se eu estivesse no lugar dos pais? O que eu faria? (Eu já sei o que eu faria, mas eu tenho minha história de vida e você tem a sua, assista o filme, estude o assunto, ambos são ricos!) 
Gostei muito do filme e o recomendo, e claro, procure também informar-se sobre o mundo dos surdos, você não vai se arrepender, e acredite, só no Brasil são cerca de 5.750.810 pessoas que possuem uma dificuldade permanente em ouvir. A inclusão ainda não é uma realidade, e creio verdadeiramente que a informação é um dos maiores remédios contra o preconceito. Ainda postarei mais coisas sobre a surdez aqui no blog, pois é um assunto que me enche os olhos. 
Só para reforçar: este texto, que escrevi com todo o carinho do mundo, é só uma resenha. Não estou fazendo apologia contra o implante ou a favor dele. Mas a inclusão é minha bandeira! E, engana-se quem pensa que a LIBRAS não é uma OPORTUNIDADE! Para muitos ela é a melhor coisa que já lhes aconteceu.

P.S. A protagonista é a linda atriz Marlee Matli, surda desde os 18 meses de idade. 
Este é o trailer, para ver legendando é só clicar no ícone que parece um bloco de anotações e traduzir a legenda para o Português:




  

7 comentários:

  1. Gostei muito de seu Blog, saiba que ele me está ajudando a fazer um trabalho na faculdade sebre libras. Muito Obrigado ....Walter

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que você gostou :) Fico feliz. É melhor não citá-lo em seu trabalho de faculdade, hehehe, se você precisar eu te mando alguns artigos e textos bem legais que você pode usar como base teórica. Volte mais vezes :D

      Excluir
  2. Seus leitores estão com saudade dos textos. Volta logo :)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Esses meus fãs... ts ts ts. Voltei meu amor, uma passada rápida para registrar um dia importante :D Obrigada por me incentivar sempre. Te amo!

      Excluir
  3. Estudo LIBRAS. Parabéns. Diversos filmes sobre o tema, ou de reflexão sobre a cultura surda. Comunicar-se com as mãos e expressões faciais é realmente maravilhoso.

    ResponderExcluir
  4. A cultura surda é algo protegido por lei, de forma constituída e certa. Acredito que os intérpretes poderiam desempenhar um papel fundamental na transposição didática dos assuntos relativos a Educação Básica e, ainda, ao nível médio. A imposição como disciplina obrigatória abre um precedente para as quase 6.000 prefeituras do Brasil deixe o intérprete desempregado, e a perda seria grande para a cultura surda. Para ser intérprete o surdo cursa o ensino superior em letras, e assim mais uma vez ... da cultura surda se subtrai chances importantes de conquistar uma vaga específica constitucionalmente dada a eles. Mais uma vez a lei foi feita para não ser cumprida nesse país que se chama Brasil!
    Obrigado pelos esclarecimentos ajudou a compreender mais sobre o processar da exclusão dos que portadores de necessidades especiais, uma realidade extra nas salas de aula.
    Valdemiro (Décimo período em L. Ciências Biológicas) :-)

    ResponderExcluir
  5. A cultura surda é algo protegido por lei, de forma constituída e certa. Acredito que os intérpretes poderiam desempenhar um papel fundamental na transposição didática dos assuntos relativos a Educação Básica e, ainda, ao nível médio. A imposição como disciplina obrigatória abre um precedente para as quase 6.000 prefeituras do Brasil deixe o intérprete desempregado, e a perda seria grande para a cultura surda. Para ser intérprete o surdo cursa o ensino superior em letras, e assim mais uma vez ... da cultura surda se subtrai chances importantes de conquistar uma vaga específica constitucionalmente dada a eles. Mais uma vez a lei foi feita para não ser cumprida nesse país que se chama Brasil!
    Obrigado pelos esclarecimentos ajudou a compreender mais sobre o processar da exclusão dos que portadores de necessidades especiais, uma realidade extra nas salas de aula.
    Att Valdemiro (Décimo período L. Ciências Bio) Magé-RJ

    ResponderExcluir